Green or Grey? artigo de Carlos Oliveira - CEO fundador na empresa FACTOR4Sustainability


O Pacto Ecológico Europeu (EU Geen Deal) apresentado em Dezembro de 2019 é um marco na estratégia de desenvolvimento desta Europa, da qual fazemos parte. Uma Europa que quer liderar a transição global para a Economia Circular, baseada nos princípios do Desenvolvimento Sustentável e orientada para a descarbonização e para a inevitável mitigação das alterações climáticas antropogénicas.


O período que decorre até 2030 é crucial para que se implementem e concretizem medidas que permitam não ultrapassar a "linha de não retorno..."" respeitantes ao aumento da temperatura média global, à depleção dos recursos naturais não renováveis, à perda de biodiversidade, poluição, disponibilidade de água potável, etc.


Apesar de em alguns países, designadamente os mais desenvolvidos, ser o próprio mercado a induzir e a provocar alterações nos produtos, nos serviços e nos modelos de negócio das empresas tornando-os mais sustentáveis, tal não é ainda a regra na generalidade dos restantes, pelo que a existência de políticas e diretrizes emanadas é indispensável nesta fase.


Obviamente, estas e outras medidas só poderão passar á prática e produzir efeitos atempados com o envolvimento do poder político, o que implica, necessariamente, delicados compromissos com o poder económico e social. De facto, o "business-as-usual" na maioria dos casos, e concretamente em Portugal, permanece alheado destas questões, mergulhado nos (muitos) problemas específicos e quotidianos, deveras mais preocupado com o fluxo de caixa e a sobrevivência das empresas num mundo competitivo.


Nesse sentido, o Green Deal Europeu traça um roteiro de ações com vista a potenciar a utilização eficiente dos recursos, restaurar a biodiversidade e reduzir a poluição, colocando ao dispor os instrumentos financeiros necessários e adequados de forma a assegurar uma transição justa e inclusiva, com vista a atingir a “neutralidade climática” em 2050. As medidas abrangem as seguintes atividades e setores : - Forte investimento em tecnologias ambientalmente compatíveis; - Apoio a inovação industrial baseada nos princípios da Economia Circular; - Massificação da mobilidade “limpa” e sustentável; - Descarbonização do setor energético, através da utilização de energias renováveis; - Melhoria da eficiência energética dos edifícios; - Cooperação internacional com vista ao aperfeiçoamento das normas ambientais.



Um estudo recente (pré COVID-19) dava conta que a simples aplicação dos princípios da Economia Circular, na União Europeia, tem o potencial de aumentar incrementalmente o Produto Interno Bruto (PIB) em 0,5 %, conduzindo à criação de 700.000 novos empregos, até 2030. Do mesmo modo, promoverá a criação de empresas e o empreendedorismo nesta área.


Novos modelos de negócio baseados nas tecnologias digitais, tais como a Internet das Coisas (IoT), Big Data, Blockchain e Inteligência Artificial (AI) irão aumentar a circularidade e a desmaterialização da economia e, consequentemente, diminuir a respetiva pegada ecológica.


Tendo em conta o tsunami que se abateu sobre a Economia Mundial, com todo o rol de desastrosas consequências sociais e económicas, talvez tenha chegado, a hora de reconhecer devidamente a importância do Capital Natural e do serviço inestimável que a Natureza nos presta, e integrá-lo na prática das empresas e dos cidadãos na forma de Economia Verde, Bio-economia ou Economia Circular.


A Economia Verde ou Circular (Green Economy) será capaz de proporcionar produtos de alta qualidade, funcionais e seguros, concebidos de acordo com as normas e princípios do Ecodesign. Toda uma nova gama de serviços, modelos e e soluções digitais são capacitantes de melhor qualidade de vida, empregos inovadores e competências atualizadas, rumo à implementação dos ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Agenda 2030). O SARS-CoV-2, designação dada ao vírus causador da doença COVID-19, parece ter a sua origem remota na desflorestação global e sem precedentes, responsável direta pela destruição de habitats, perda de biodiversidade e pelo desenvolvimento de condições para o eclodir não só desta, mas também, de futuras pandemias.


Edição 7 INPortugal Business & People Magazine

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