Ana Laíns

Atualizado: Abr 28




Ana Margarida Laíns da Silva Augusto é uma cantora portuguesa, de cariz tradicional! Nasceu em Tomar no ano de 1979. Cresceu na aldeia de Montalvo, pertencente ao concelho de Constância, onde permaneceu até aos 19 anos. Em 1999 mudou-se para Lisboa, perseguindo o sonho de ser Cantora Profissional.







<INP> Quando começou o seu gosto pelo fado e musica tradicional?

<AL> Antes do Fado surge a Música tradicional. O primeiro contacto com os Cancioneiros tradicionais surge ao integrar o grupo de cantares “Segarega” na minha aldeia (aos 12 anos) e o grupo de Cantares tradicionais da minha escola em Constância (aos 14 anos). Aos 15 anos cantei o 1º Fado, pela mão do fadista ribatejano João Chora.


<INP>Que raízes têm a sua música,que mais a marcam?

<AL>A minha música é o resultado de todos os caminhos que fui percorrendo ao longo da minha Vida. Fui sempre uma cantora ecléctica e predisposta ao desafio, ao contacto com outras culturas e formas de expressão, além do Fado e da Música Tradicional Portuguesa. No entanto, o Fado e a Música Tradicional, a par da Língua Portuguesa, são a principal matriz da minha música.


<INP> Ser mulher, ser cantora e cantar em Português, que desafios para um mercado internacional?

<AL> Acredito que o grande desafio do meu caso em particular, não é o facto de ser mulher, uma vez que internacionalmente ainda subsiste a ideia de que a música portuguesa, e o Fado em particular, personifica a alma portuguesa feminina. Poucos são os homens que conseguem impor-se no estrangeiro enquanto cantores portugueses, ainda que cada vez mais, este preconceito esteja a ser ultrapassado.

No que concerne o facto de cantar em português, e porque o meu mercado é essencialmente a World Music, também sinto que é uma mais-valia cantar na minha Língua. Impor-se no mercado internacional será substancialmente mais difícil para um cantor Pop, sendo que também nesta vertente temos alguns casos bem sucedidos.

A Língua Portuguesa é uma das Línguas mais faladas no mundo inteiro (contrariamente ao que se possa pensar), e é a mais falada em todo o hemisfério Sul (devido a 200 milhões de falantes no Brasil). Outro barómetro interessante sobre a curiosidade em torno da nossa Língua, e segundo dados do Instituto Camões, o ensino do Português quase que duplicou nos Estados Unidos nos últimos 10 anos.

Existe um grande respeito e curiosidade sobre a nossa cultura, e o meu grande desafio, enquanto cantora, talvez seja provar ao Mundo que Portugal é um país repleto de cores e variantes no que concerne às nossas diversas formas de expressão Cantada e Tocada. Ainda que o Fado seja o nosso “Vasco da Gama”, a verdade é que o nosso ADN não é só Saudade, Destino, Lisboa e Ciúme!



<INP> Se tivesse de começar de novo, faria tudo igual?

<AL> Eu convivo pacificamente com os meus erros e “inconseguimentos”. Aceito que a minha condição humana condiciona a assertividade das minhas opções e decisões ao longo dos tempos. A Vida é isto mesmo. É um livro sem chance de reescrever páginas que possam ter ficado, metaforicamente, por emendar!

Temos de ir escrevendo cada página em tempo real, e tentar aproveitar os ensinamentos do passado. E até isso é complicado de conseguir! Portanto, em resumo, se eu começasse de novo, provavelmente voltaria à estaca da inexperiência, e não teria como fazer melhor do que fiz até aqui! Afirmo convictamente que não gosto de comparações.

Não me comparo a outras colegas que possam ser mais bem sucedidas que eu! No entanto, observo-as, apreendo conceitos que depois utilizo ou não se fizer sentido na minha pessoa. Hoje, quero apenas ser melhor do que fui ontem, e espero ser pior do que serei amanhã!

<INP>Criar um projeto de raiz, organizar equipas,mercado, que qualidades e necessidade primordial defende para quem queira se lançar como profissional na música?

<AL> A meu ver, há (pelo menos) 3 aspectos essenciais. Capacidade de trabalho e sacrifício, Honestidade Intelectual e Perseverança. O que me diferencia da maioria das minhas colegas é o facto de não contar com uma estrutura (Máquina) que trabalhe por mim. Não tenho manager, ou agente, e a minha editora não é uma major com acesso ao “Monopólio” da Indústria.

Muito cedo compreendi que viria a ser uma “outsider”. Isto deve-se a muitos fatores, mas essencialmente ao facto de não concordar com as regras do mercado. Acredito que a Arte, e a Música em particular, enquanto forma de comunicação e veículo de emoções, não pode ser mentira. Seria incapaz de gravar um disco se não tivesse nada para dizer ao Mundo, apenas e só porque preciso vender concertos. É aqui que entra a honestidade intelectual. A Mensagem é prioritária. Tudo mais tem de ser uma consequência.

Naturalmente, o facto de navegar pelos afluentes torna tudo mais difícil, e é aí que entra a Perseverança. Uma cantora nas minhas circunstâncias tem uma enorme dificuldade de acesso a tudo. Dificuldade no acesso aos promotores e programadores, meios de comunicação, e consequentemente, dificuldade em chegar ao grande público. E aqui entra, finalmente, a capacidade de trabalho e organização. É necessário encontrar formas alternativas de abordagem ao mercado. Pensar enquanto manager e empresária é inacreditavelmente incompatível com a disponibilidade necessária à criatividade de um artista.

A criatividade é um “lugar” estranho que carece de tempo, disponibilidade emocional e grande capacidade de observação! E fazer a gestão destes dois universos tem sido a minha maior dificuldade! Pelo que tenho procurado reunir as pessoas certas para me assessorar nas várias frentes, e em termos de abordagem ao mercado, tenho optado por tentar chegar ao coração de quem compra e vende, salvaguardando a importância desta nossa global função de cultivar e emocionar o público consumidor de música.


<INP> Fale-nos dos álbuns que lançou e o significado para si de cada um?

<AL> Cada álbum tem o seu contexto na minha vida, no meu percurso, e considero cada um deles um barómetro da fase em que me encontrava a quando da sua produção.

O Álbum “Sentidos” de 2006 surge após 2 anos de contrato discográfico. Fui convidada pela Difference (editora) para gravar em 2004, mas só avancei quando me senti esclarecida quanto às minhas opções enquanto comunicadora através da Música. Até aí eu cantava de tudo um pouco nos mais diversificados ambientes (bares, casinos, hotéis, noites de Fado, palcos grandes e pequenos, em várias Línguas e vários géneros musicais de forma transversal). Este álbum foi o ponto de partida de uma nova fase da minha carreira, começando a deixar, lentamente, a abordagem do entretenimento (Cantora de covers) para passar à abordagem de Autor (reportório de originais).

Em 2010 surge o “Quatro Caminhos”, disco que reflete, de forma ainda mais clara, a Música tradicional portuguesa e o Fado enquanto matrizes do meu trabalho. E só 7 anos depois surge o terceiro álbum “Portucalis”, que é, a meu ver, um carimbo da mensagem que me move: A Portugalidade. Foram, concomitantemente, 7 anos muito importantes para me reconciliar com as minhas certezas, quer enquanto cantora, quer enquanto empresária responsável pela minha Carreira.

<INP> Tem a música como base de mudança e crescimento em outras vidas, sendo porta voz de uma característica musical tradicional Portuguesa?

>AL>Sem dúvida! Procuro inspirar a minha comunidade (músicos, público, amigos e outros colegas de profissão) no sentido de preservar a nossa identidade enquanto povo! É essa a minha mais valiosa mensagem e missão. Tenho a firme convicção que nascer num determinado lugar nos confere responsabilidades para com esse lugar.

Não acredito num país que não defende a sua história, a sua cultura, a sua identidade, como ponto de partida para um futuro brilhante! A multiculturalidade e a diversidade são extremamente enriquecedoras (sendo que uma é a outra), porque nos permitem uma visão e compreensão mais abrangente do Mundo e das Pessoas. Seres aculturados são seres mais sensíveis à realidade dos outros, e consequentemente, mais capazes de desenvolver empatia! O Mundo necessita de empatia! E a empatia é, uma vez mais a meu ver, a melhor forma de mudar o mundo empresarial e o sistema capitalista, que precisa urgentemente de se “humanizar” de novo!

INP> o mundo da música, do espectáculo é por norma um mundo desafiante sendo mulher?

>AL> Creio que sim. Do ponto de vista empresarial acredito que ainda é um Universo muito masculino. Não necessariamente machista. Nunca me senti desacreditada por ser Mulher, mas já me senti desacreditada por ser uma Cantora que faz pessoalmente a gestão da sua carreira. Portanto, acredito que ainda existem poucas mulher no comando da Indústria da Música em Portugal, mas existem!

E vão sendo cada vez mais! Pouco comum, mais concretamente, é ser-se Cantora e Empresária em simultâneo! Muitas vezes subentendo nas conversas com colegas do meio, programadores, vereadores de cultura, etc, que eu deveria ter um agente ou um Manager que me represente porque “não é bonito” ser a própria artista a dar a cara pelo lado comercial da sua carreira!

Esta visão redutora incomoda-me profundamente, e ainda ninguém conseguiu convencer-me que estou errada! Ninguém conhece o meu projecto artístico melhor do que eu, logo ninguém está mais apto do que eu a defendê-lo!

Tudo mais são preconceitos que se prendem com o suposto lado “intocável” que um Artista tem de ter! Pessoalmente, acredito que só sou artista em cima do palco. Fora dele sou uma Comunicadora que escolheu o Canto para comunicar com a sociedade. Apenas e só! Incomoda-me que a figura feminina no canto e nas artes ainda careça de uma figura masculina na retaguarda para merecer crédito. Eu não preciso de proteção. Preciso que me escutem.


<INP> Qual foi o pais sitio que mais a marcou, no palco? Porquê?

<AL> Felizmente, ao longo da minha trajetória como cantora tenho vivido muitos momentos inesquecíveis e marcantes! Poderia enunciar vários com igual importância. Mas do ponto de vista sociológico, gosto de falar sobre o meu concerto em Katowice, na Polónia, em 2018. É uma região muito “cinzenta” devido ao peso da sua história (ainda) muito recente, muito perto de Auschwitz. Recordo-me que me avisaram para não criar grandes expectativas sobre a reação entusiasta do público, porque as pessoas ali eram frias e fechadas naturalmente. A verdade é que nunca vi tantos sorrisos na minha direcão, vindos do auditório, e senti-me abraçada por todos. O meu concerto “in door” é muito acolhedor, e eu gosto de sorrir para quem me escuta, e ainda acredito que um sorriso sincero pode mudar o Mundo e aproximar povos e culturas díspares. Este concerto provou-me a validade desta teoria.


<INP> Como concilia a família, a pessoa e a profissão? Que prioridades defende neste sentido?

<AL> Eu encaro a minha Vida como uma imensa experiência “antropológica” e “Sociológica”! Principalmente no que diz respeito à figura Feminina da Sociedade! As mulheres são seres incríveis, com “super poderes”, que lhes foram conferidos pelas suas múltiplas funções ao longo dos tempos! Eu não consigo dissociar a Pessoa da Mulher, e muito menos a Pessoa da Cantora/ Empresária, e no decorrer dos meus 20 anos de Carreira, tornouse natural conseguir conciliar todos os papéis. É uma questão que se prende, essencialmente, com a minha capacidade de organização. Todos os dias acordo em modo Cantora/ Empresária, e consciente da necessidade de organizar a agenda, em parceria com o meu companheiro (que é também o meu produtor e diretor musical). No entanto, assumo que acabo por ser o cérebro que organiza e detecta, no nosso dia-a-dia, a priorização das inúmeras frentes em que temos de agir. Há sempre um dia em que sou mais “doméstica” que cantora, e outros em que sou mais “profissional” que “pessoa”, e muitos em que sou mais “tudo isto” que “Mulher”. Mas na generalidade, acredito que consigo uma gestão muito equilibrada, de acordo com as necessidades que se apresentam.


Até porque é fundamental, no meu equilíbrio emocional, sentir que o meu lar está organizado e limpo, e que a minha família sente que eu estou disponível e consciente das minhas responsabilidades no nosso núcleo! Sentir esta base sólida na minha forma de estar, é preponderante para conseguir entregar-me à minha profissão. Hoje em dia, e depois de um Esgotamento nervoso em 2015, consigo ler os meus limites, sentir o meu corpo, e compreender quando ele me pede que o mime e priorize, o que é também importantíssimo para me manter saudável física e mentalmente.

<INP> Ser mulher, profissional o que significa para si? Que conselho daria a uma mulher na sua posição profissional?

<AL> É a minha Condição! Ser Mulher não foi uma escolha minha. Mas a forma como vivo neste corpo e nesta alma só depende das minhas escolhas. Tal como qualquer homem. Não me identifico 100% com as correntes feministas de um modo geral. Sinto, quase invariavelmente, que os movimentos feministas se querem impor promovendo a igualdade de forma errada. E este seria um assunto que teria muito gosto em desenvolver (quem sabe numa próxima entrevista). Não acredito na igualdade, tanto quanto acredito na equidade! A equidade existe quando as diferenças e as similaridades são respeitadas. Um homem e uma mulher têm necessariamente de ser diferentes, complementam-se, e respeitando-se nas suas valências e fragilidades.

Portanto, às mulheres na minha posição profissional deixo apenas um conselho: Não deixem de viver e lutar pelos vossos objectivos. Qualquer pessoa, homem ou mulher, sabendo quem é e onde quer chegar, tem nas suas mãos as rédeas da sua vida! É preciso fazer! É preciso acreditar na nossa missão pessoal, e não ter medo de trabalhar. Nenhuma cantora tem de ser um “bibelô” amparado pela inteligência dos outros. Uma cantora pode ser válida, inteligente e linda, tudo em simultâneo!


Ana Margarida Laíns da Silva Augusto is a Portuguese singer, of a traditional nature! She was born in Tomar in 1979. She grew up in the village of Montalvo, in to the municipality of Constância, where she remained until she was 19 years old. In 1999 she moved to Lisbon, pursuing her dream of becoming a Professional Singer.

<INP> When did your interest in fado and traditional music begin?

<AL> Before Fado, traditional music was my first interest. The first contact with the traditional Cancioneiros appears when integrating the group of songs “Segarega” in my village (at 12 years old) and the group of traditional songs of my school in Constância (at 14 years old). At the age of 15 I sang the first Fado, by the hand of Ribatejo fado singer João Chora.

<INP> What roots do your music have, what most mark you?

<AL> My music is the result of all the paths I have taken along my life. I have always been an eclectic singer and predisposed to challenge, to contact with other cultures and forms of expression, in addition to Fado and Traditional Portuguese Music. However, Fado and Traditional Music, alongside the Portuguese language, are the main matrix of my music.


<INP> Being a woman, being a singer and singing in Portuguese, what challenges for an international market?

<AL> I believe that the great challenge in my case in particular, is not the fact that I am a woman, since internationally there is still the idea that Portuguese music, and Fado in particular, personifies the Portuguese female soul. Few men are able to impose themselves abroad as Portuguese singers, although more and more, this prejudice is being overcome.

As far as singing in Portuguese is concerned, and because my market is essentially World Music, I also feel that it is an asset to sing in my language. To impose itself in the international market will be substantially more difficult for a Pop singer, and in this aspect also we have some successful cases. The Portuguese language is one of the most widely spoken languages

in the world (contrary to what one might think), and is the most widely spoken in the entire southern hemisphere (due to 200 million speakers in Brazil). Another interesting barometer on the curiosity surrounding our language, according to data from the Instituto Camões, the teaching of Portuguese has almost doubled in the United States in the last 10 years.

There is great respect and curiosity about our culture, and my greatest challenge, as a singer, is perhaps to prove to the World that Portugal is a country full of colors and variants with regard to our various forms of expression Sung and Played. Even though Fado is our “Vasco da Gama”, the truth is that our DNA is not just "miss you", "destiny", "Lisbon" and "jealousy"!



<INP> If I had to start again, would I do it all the same?

<AL> I live peacefully with my mistakes and "inconsistencies". I accept that my human condition conditions the assertiveness of my options and decisions over time. This is Life. It is a book with no chance to rewrite pages that may have been, metaphorically, to be amended!

We have to write each page in real time, and try to take advantage of the teachings of the past. And even that is complicated to achieve! So, in short, if I started again, I would probably go back to the stake of inexperience, and I couldn't do better than I have done so far! I firmly state that I don't like comparisons.

I don't compare myself to other colleagues who might be more successful than me! However, I observe them, apprehend concepts that I then use or do not make sense in my person. Today, I just want to be better than I was yesterday, and I hope to be worse than I will be tomorrow!


<INP> Create a project from scratch, organize teams, market, what qualities and primordial need do you advocate for anyone who wants to launch themselves as a professional in music?

<AL> In my point of view, there are (at least) 3 essential aspects. Ability to work and sacrifice, Intellectual Honesty and Perseverance. What sets me apart from most of my colleagues is the fact that I don't have a structure (machine) that works for me. I have no manager, or agent, and my publisher is not a major with access to the Industry “Monopoly”.

I understood very early that I would become an “outsider”. This is due to many factors, but essentially to the fact that it does not agree with the rules of the market. I believe that Art, and Music in particular, as a form of communication and a vehicle for emotions, cannot be a lie. I would be unable to record an album if I had nothing to say to the world, just and only because I need to sell concerts. This is where intellectual honesty comes in. The Message is a priority. Everything else has to be a consequence.

Naturally, navigating the affluents makes it all the more difficult, and that's where Perseverance comes in. A singer in my circumstances has enormous difficulty in accessing everything. Difficulty in accessing promoters and programmers, the media, and consequently, difficulty reaching the general public. And finally, here comes the capacity for work and organization. It is necessary to find alternative ways of approaching the market. Thinking as a manager and businesswoman is unbelievably incompatible with the availability needed for an artist's creativity.

Creativity is a strange “place” that lacks time, emotional availability and a great capacity for observation! And managing these two universes has been my biggest difficulty! For what I have tried to bring together the right people to advise me on the various fronts, and in terms of approaching the market, I have chosen to try to reach the hearts of those who buy and sell, safeguarding the importance of our global function to cultivate and thrill the consuming public of music.


<INP> Has music as a basis for change and growth in other lives, being the spokesperson for a traditional Portuguese musical characteristic?

<AL> Without a doubt! I try to inspire my community (musicians, public, friends and other professional colleagues) to preserve our identity as a people! This is my most valuable message and mission. I am firmly convinced that being born in a given place gives us responsibilities towards that place.

I don't believe in a country that doesn't defend its history, its culture, its identity, as a starting point for a bright future! Multiculturalism and diversity are extremely enriching (one being the other), because they allow us to have a more comprehensive view and understanding of the World and People. Accultured beings are beings more sensitive to the reality of others, and consequently, more capable of develop empathy! The world needs empathy! And empathy is, once again in my view, the best way to change the business world and the capitalist system, which urgently needs to “humanize” again!


<INP> Tell us about the albums you released and what each one means to you?

<AL> Each album has its context in my life, in my journey, and I consider each one to be a barometer of the stage I was in when it was produced. The 2006 “Sentidos” album appears after 2 years of record contract. I was invited by Difference (publisher) to record in 2004, but I only moved forward when I felt clear about my options as a communicator through Music. Until then I sang a little of everything more diverse environments (bars, casinos, hotels, Fado nights, large and small stages, in various languages

and various musical genres in a transversal way). This album was the starting point of a new phase of my career, slowly starting to leave the approach of entertainment (Singer of covers) to move to the approach of Author (repertoire of originals). In 2010, “Quatro Caminhos” emerges, an album that reflects, even more clearly, traditional Portuguese music and Fado as matrixes of my work. And only 7 years later, the third album “Portucalis” appears, which, in my view, is a stamp of the message that moves me: Portugalidade. At the same time, it was 7 very important years for me to be reconciled with my certainties, both as a singer and as a businesswoman responsible for my career.


<INP> is the world of music, of the show a challenging world as a woman?

<AL> I think so. From the business point of view, I believe that it is still a very masculine Universe. Not necessarily macho. I have never felt discredited for being a woman, but I have already felt discredited for being a singer who personally manages her career. So I believe that there are still few women in charge of the Music Industry in Portugal, but there are!

And more and more! Uncommon, more concretely, is to be a singer and businesswoman at the same time! Often implying in conversations with colleagues in the environment, programmers, culture councilors, etc., that I should have an agent or a Manager who represents me because "it is not beautiful" to be the artist herself to show her face for the commercial side of her career !

This reducing vision deeply disturbs me, and no one has yet managed to convince me that I am wrong! No one knows my artistic project better than I do, so no one is better able to defend it than I am!

Everything else is prejudice related to the supposed “untouchable” side that an Artist has to have! Personally, I believe that I am only an artist on stage. Outside of it, I am a Communicator who chose Canto to communicate with society. Just and only! It bothers me that the female figure in singing and in the arts still lacks a male figure in the rear to deserve credit. I don't need protection. I need you to listen to me.



INP> What was the country that most marked you, on stage? Why?

<AL> Fortunately, throughout my career as a singer I have lived many unforgettable and remarkable moments! I could list several of equal importance. But from a sociological point of view, I like to talk about my concert in Katowice, Poland, in 2018. It is a very “gray” region due to the weight of its (still) very recent history, very close to Auschwitz. I remember that I was warned not to create high expectations about the enthusiastic reaction of the public, because the people there were naturally cold and closed. The truth is that I never saw so many smiles in my direction, coming from the auditorium, and I felt embraced by everyone. My “in door” concert is very welcoming, and I like to smile for those who listen to me, and I still believe that a sincere smile can change the world and bring different peoples and cultures together. This concert proved to me the validity of this theory.

<INP> How do you reconcile family, person and profession? What priorities do you advocate in this regard?

<AL> I see my life as an immense “anthropological” and “sociological” experience! Especially with regard to the Female figure of the Society! Women are incredible beings, with “super powers”, which were given to them by their multiple functions over time! I cannot dissociate the Person from the Woman, let alone the Person from the Singer / Businesswoman, and During my 20 years of career, it became natural to be able to reconcile all the roles. Is question that essentially concerns my organizational capacity. Every day agreement in Singer / Businesswoman mode, and aware of the need to organize the agenda, in partnership with my partner (who is also my producer and music director). However, I assume that I end up being the brain that organizes and detects, in our daily lives, the prioritization of countless fronts on which we have to act. There is always a day when I am more “domestic” than singer, and others in which I am more “professional” than “person”, and many in which I am more “everything this ”than“ Woman ”. But in general, I believe that I can achieve a very balanced management, according to the needs that arise.

Even because it is fundamental, in my balance emotional, feeling that my home is organized and clean, and that my family feels that I am available and aware of my responsibilities at our core! Feel this solid foundation in my way of being, is preponderant to be able to surrender to my profession. Nowadays, and after a nervous breakdown in 2015, I can read my limits, feel the my body, and understanding when it asks me to pamper and prioritize it, which is also very important to keep me physically and mentally healthy.


<INP> Being a woman, professional what does it mean to you? What advice would you give a woman in her professoional position?

<AL> It's my Condition! Being a wman was not my choice. But the way I live in this body and soul depends only on my choices. Just like any man. I don't identify 100% with feminist trends in general. I almost invariably feel that feminist movements want to impose themselves by promoting equality in the wrong way. And this would be a subject that I would be very happy to develop (perhaps in an upcoming interview). I don't believe in equality as much as I believe in equity! Equity exists when differences and similarities are respected. A man and a woman must necessarily be different, complement each other, and respecting each other in their strengths and weaknesses. Therefore, to women in my professional position I leave only one piece of advice: Do not stop living and fighting for your goals. Anyone, man or woman, knowing who he is and where he wants to go, has the reins of his life in his hands! You have to do it! We must believe in our personal mission, and not be afraid to work. No singer has to be a “bibelô” supported by the intelligence of others. A singer can be valid, intelligent and beautiful, all at the same time!

INPortugal Business People Magazine, Edition 5


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